Homem limpa árvores derrubadas de sua propriedade, próxima à comunidade de Léogâne, no Haiti. Ele perdeu suas colheitas e gado após a passagem do furacão Matthew. Foto: MINUSTAH / Logan Abassi

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertaram na segunda-feira (24) que, após a passagem do furacão Matthew no Haiti, 1,4 milhão de haitianos precisam de assistência alimentar e pelo menos 800 mil pessoas estão em carência imediata desse tipo de ajuda no país.

Segundo a ONU, o setor agrícola do Departamento de Grande-Anse foi destruído. Os estoques de comida também sofreram danos graves, e os alimentos foram reduzidos a frutas caídas das árvores. Cerca de metade dos rebanhos na região foi dizimada.

Já na costa sul do país, as atividades pesqueiras estão paralisadas por causa das cheias que levaram as redes, as embarcações e os motores dos barcos.

No Departamento do Sul, as colheitas desapareceram quase que por completo, e mais de 90% das árvores frutíferas foram destruídas. Com isso, a estação de colheitas foi reduzida a 10% e não pode contar como sendo produtiva.

Em Artibonite, 80% do gado foi exterminado, e, segundo a avaliação das agências, as comunidades pesqueiras do Departamento Sudeste sofreram uma perda comercial de 40%.

“Os produtos locais nos mercados em breve estarão esgotados. Precisamos de mais financiamento para ajudar 800 mil pessoas que precisam de assistência alimentar urgentemente”, alertou o diretor regional do PMA para a América Latina e o Caribe, Miguel Barreto.

De acordo com o representante da FAO no Haiti, Nathanaël Hishamunda, se não houver uma mobilização para providenciar imediatamente sementes e fertilizantes à população, a próxima estação também ficará comprometida e a insegurança alimentar vai persistir.

A FAO está comprometida em trabalhar com o Ministério da Agricultura do Haiti, a fim de implementar o plano de resposta de emergência no país. A estratégia se concentrará em ajudar as pessoas a retomar as atividades agrícolas e melhorar a segurança alimentar em áreas rurais.

Para atender à necessidades de assistência alimentar no Haiti, a comunidade humanitária pede um adicional de 56 milhões de dólares para os próximos três meses.

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